Uma das minhas tortas preferidas da época pré-natalina, embora nem tenhamos as lindas folhas de outono com suas cores tons-de-terra, nem o frio necessário para nos aconchegarmos a uma lareira com cobertor na perna e uma fumegante caneca de “pumpkin spice latte”, e menos ainda a estação dourada, que na minha opinião, é a mais linda delas.

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Mas, e ainda bem, abóbora faz parte da vida do brasileiro, e da minha desde criança, já que no quintal da casa da minha vó materna existia um “abobral”, e ali mesmo aprendi a fazer o melhor doce de abóbora do mundo! Sem falar na Sopa de cambuquira com milho fresco. Cambuquiras são os talos dos brotos das abóboras ainda não nascidas, muito tenros, e muito comum à época nos ensopados.

Mas voltando à nossa Torta de abóbora, eu a fiz pela primeira vez há muitos anos; talvez décadas, quando ainda nem internet existia. Há uns 4 anos fiz uma linda e até postei foto no Instagram quase que me prometendo que faria um post e acabei desistindo à época, mas agora vai!

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E aqui começa uma historinha:

Em 2013, minha amiga Andréa Espíndola e eu estávamos conversando no Twitter sobre abóbora assada – uma receita que faço há muitos anos – e ela disse que iria rever seus conceitos sobre abóbora.

Um tempo depois eu fiz uns cupcakes que não só leva abóbora na massa, como estava coberto do doce que me avó me ensinou, que fiz em textura cremosa.

Qual não foi minha surpresa quando ela empolgadamente me contou que tinha adorado os bolinhos!

“Opa, tudo na vida é questão do momento certo”, pensei.

Tempo passou, e fui notando que gostávamos de “pumpkin spice” (um mix de especiarias, muito popular nos EUA, utilizado nas receitas de “Pumpkin pies”) especialmente no cappuccino e no “latte”.

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Um par de vezes eu trouxe o potinho da especiaria para a Andréa, que adorava.

Até que um dia, há um ano e pouco ela resolveu montar a “Ginger Temperos“, onde habilmente e com maestria, elabora seus próprios mix de temperos e especiarias – entre eles, o “Pumpkin pie spice”.

Fui presenteada antes mesmo da inauguração, com um kit da Ginger, e direto abri a latinha do meu mix preferido: imediatamente senti o aroma, em seguida provei, só para constar a ela que na eu achei o melhor do mundo; inclusive os que comprei fora!

Este ano, disse a ela que eu faria uma Pumpkin pie, editaria a receita e tiraria fotos, para que publicasse meu post no Blog da Ginger.

Massss como faz um tempinho que não posto aqui no blog, e a torta ficou fantástica de sabor, resolvemos fazer uma publicação simultânea e em conjunto, desse pedacinho de céu que é esta receita.

Acabei de enviar as fotos e a receita a ela, e eu já vim aqui postar pois sinto-me em dívida com vocês no quesito postagens (mas sei que sempre sou desculpada hohoho).

É daqueles posts explicadíssimos que é mesmo pra NÃO ter dúvidas, já que não é do nosso dia a dia, com algumas fotos de passo-a-passo ao longo da receita, pra facilitar!

Pode parecer trabalhosa (e é), mas garanto: vale cada minuto gasto e investido pois o resultado é uma massa crocante com um recheio levíssimo, cujo casamento da abóbora mais as especiarias alegra a alma de qualquer um!

Em “Dicas da Lena” eu explico algumas coisas que achei fundamentais.

Espero que vocês gostem do post, e aguardo as manifestações, já que comentários são sempre muito bem vindos!

E pra finalizar, digo sempre isso: plantem e colham amizades verdadeiras. É disso que vale a vida <3

 

Para 8 fatias generosas: 

 

Ingredientes:

 

Do recheio:

 

– 3 xícaras de abóboras assadas e amassadas – cerca de 1 kg de cubos. (misturei a cabotiá – a abóbora japonesa – mais a abóbora “seca” ou “de pescoço”). Mais detalhes abaixo nas “Dicas da Lena
– 1 colher de chá de sal
– 1 lata de leite condensado
– 5 ovos extra grandes
– ½ xícara de creme de leite fresco ou leite integral
– 3 colheres de chá (colher padrão nivelada) de “pumpkin pie spice” (para quem não tem esse mix, use 1-1/2 colher de chá de canela em pó, ½ colher de chá de noz moscada em pó, ½ colher de chá de cravo em pó e 1/2 colher de chá de gengibre em pó – ou 1 colher de chá de gengibre fresco ralado)**

 

Da massa:

 

(utilizei xícara medida de 220 ml)

 

– 2 xícaras de farinha de trigo
– 2/3 de xícara de manteiga sem sal, gelada, cortada em cubinhos (cerca de 150 grs)
– ½ colher (chá) de sal
– cerca de 3 colheres (sopa) de água bem gelada ( se precisar adicione um pouquinho mais)

 

Preparo:

 

Do recheio:

 

(Comecemos pelo recheio já que a abóbora precisa ficar 50 minutos no forno)
Pré aqueça o forno a 170 graus.
Coloque os cubos de abóbora em uma assadeira forrada com folha de silicone ou papel manteiga. Polvilhe 1 colher de chá (colher medida, nivelada com a faca) de sal. Cubra com papel alumínio.
Leve ao forno pré-aquecido por cerca de 45 minutos ou até estarem bem macias ao espetar um garfo.
Retire do forno, amasse-as com um garfo e meça 3 xícaras.
No liquidificador coloque a abóbora, os ovos, o Pumpkin pie spice (ou as especiarias), e o leite. Bata bem. Reserve.

 

Da massa:

 

(Forma de vidro redonda, cerca de 28 a 30 cm de diâmetro)

No processador coloque a farinha e o sal. Pulse por alguns segundos.
Acrescente os cubinhos de manteiga gelada, e pulse até formar uma espécie de “farofa”, onde ainda se vê pedacinhos de manteiga sem desmanchar.
Coloque aos poucos a água beeem gelada e pulse a massa continuamente por uns 30 segundos até formar uma bola. Se faltar águia coloque mais um pouquinho APENAS até formar a bola de massa.
ATENÇÃO: Importante colocar aos poucos pois se a massa ficar úmida demais e tiver que acrescentar mais farinha, ela ficará dura ao assar.
Coloque a massa em plástico filme e leve ao freezer cerca de 20 minutos.
Esta massa pode ser congelada crua por até 1 mês. Descongele na geladeira.

 

Montagem da torta:

 

Separe ¼ da massa da torta (num plástico filme, na geladeira) para fazer as folhas da lateral.
Coloque o restante da massa sobre uma folha de silicone , ou sobre uma folha de papel manteiga (assim poderá levantar a folha de silicone ou papel e posicionar a massa facilmente sobre a forma. Também pode enfarinhar uma superfície e abrir a massa diretamente nela. Nesse caso enfarinhe bem e vá girando a massa sobre a mesa à medida que vai abrindo com o rolo para que ela não grude na mesa e possa transferí-la inteira para a forma).
Polvilhe levemente com farinha de trigo por cima da massa (para que o papel não “cole” ao retirá-lo).
Por cima coloque uma folha de papel manteiga para não grudar a massa no rolo.
Abra a massa com um rolo, no tamanho de um diâmetro ou pouco maior do que a forma.

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Retire o papel manteiga de cima e transfira a massa posicionando na forma, com a parte sem o papel para baixo. Ajeite a massa em toda a borda e fundos na torta, com as mãos sobre o papel ou silicone, e aí sim o retire com cuidado.

Recorte todo o excesso com uma tesoura
Recorte todo o excesso com uma tesoura

Recorte com tesoura o excesso de massa ao redor da forma, cobrindo a superfície das bordas.
Leve à geladeira enquanto abre a massa restante e corte as folhas.
Abra o restante da massa da mesma maneira: sobre uma folha de silicone, sobre outro papel manteiga ou sobre superfície enfarinhada, na espessura de 4 mm.
Corte com um cortador de biscoitos em formato de folha ou com a ponta de uma faquinha, nesse formato.

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Retire a massa da geladeira e pincele as bordas com um ovo batido.
“Cole” as folhas em volta de toda a borda.
Fure o fundo com um garfo e leve a massa ao freezer por 10 minutos.

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Retire do freezer.
Por cima da massa crua coloque uma folha de alumínio que cubra inclusive as bordas.
Preencha com feijões crus.

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Leve ao forno que já está pré-aquecido, por cerca de 15 minutos.
Retire do forno, deixe esfriar por 5 minutos.
Retire os feijões e o papel alumínio com cuidado e leve de volta ao forno por mais uns 8 minutos (não é para assar completamente; é somente para pré-assar e manter o formato).
Leve ao freezer por 15/20 minutos para a massa amornar e colocar o recheio.
Despeje o recheio na massa pré-assada.
Leve ao forno pré-aquecido em 160/170 graus por cerca de 50 minutos a uma hora, ou até enfiar uma faca no centro e sair limpa ( o recheio assado vai firmar depois de algumas horas na geladeira).
Sirva gelada ou em temperatura ambiente, com chantilly batido.

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Eu decorei com chantilly e abobrinhas feitas com docinho de leite em pó.

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Dicas da Lena:

 

Explicação sobre o preenchimento com pesos (no caso, feijões, que é o mais fácil):
Se não preencher com um peso, a massa das bordas vai escorregar e cair ao assar.
E para isso é preciso “forrar” a massa com papel-manteiga ou papel-alumínio antes dos feijões.
Se não pré-assar, a massa ficará semi crua quando estiver assando com o recheio.
Sobre a escolha das abóboras:
Uma vez que eu adaptei receitas americanas e as abóboras de lá são diferentes das nossas, testei com as mais comuns vendidas em hortifrutis e supermercados, e onde as encontro já descascadas e em cubos, pra facilitar.
A cabotiá – ou abóbora japonesa – tem a textura mas cremosa e seca, além de um sabor incrível.
A “abóbora seca” ou “de pescoço”, tem uma cor linda! Porém á mais “aguada”, fibrosa, e sabor diferente da cabotiá.
Particularmente adorei o resultado das duas juntas, mas pode fazer só com uma ou só com a outra.
Sobre a água na receita da massa, não existe uma medida exata pois depende do tipo e umidade ambiente, e da própria farinha de trigo. O importante é acrescentar a água aos poucos para não deixar a massa molhada.
Se quiser pode cozinhar as abóboras em vez de assá-las. Mas elas ficarão cheias de água, então é imprescindível escorre-las numa peneira e pressionar levemente com uma colher a fim de que saia o excesso de água senão vai prejudicar o recheio, deixando-o mais aguado e não firmando tanto ao assar.

– ** OBS: No mix de “Pumpkin pie spice”, há também pimenta da Jamaica moída. Se fizer em casa, eu omiti pra facilitar já que a maioria das pessoas não tem. Se quiser, pode colocar : )

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